
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), por meio da unidade descentralizada de Sinop, a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá, deflagrou nesta quarta-feira (28) a Operação Mãos à Obra, fase 2. A ação aprofunda a investigação sobre um suposto esquema de corrupção que envolveria agentes públicos e empresários da construção civil e do setor imobiliário do município.
O balanço divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) aponta cinco pessoas presas por mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões em 17 alvos, afastamento cautelar de seis agentes públicos e a suspensão das atividades econômicas e financeiras de uma empresa supostamente ligada ao esquema.
No campo patrimonial, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 80 milhões em bens e valores de um grupo de investigados e de uma pessoa jurídica. Para os demais alvos, foi determinado o sequestro de ativos financeiros até o limite de R$ 3 milhões por investigado, além do sequestro de imóveis vinculados a um dos alvos. Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam dinheiro em espécie e bens de alto valor atribuídos a empresários investigados. O material será analisado para verificar eventual relação com os fatos apurados.
Suspeita de propina em pareceres, licenças e fiscalizações
Segundo o MPMT, as apurações indicam exigência e pagamento de vantagens indevidas para favorecer a tramitação de processos administrativos ligados a obras e empreendimentos imobiliários. As suspeitas alcançam a emissão de pareceres, a aprovação e a regularização de projetos, a concessão de licenças e certificados e possíveis interferências em fiscalizações e em outros atos da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.
Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2017 e 2026. A primeira fase da operação foi deflagrada em 28 de julho deste ano e mirou agentes fiscais do município por práticas semelhantes. A nova etapa foi deflagrada justamente no Dia do Servidor Público. O Gaeco afirmou que a data faz referência à importância da ética, da integridade e da transparência no exercício da função pública e que a força-tarefa não se volta contra o serviço público de forma geral, mas busca preservar a credibilidade das instituições e valorizar os servidores que atuam com honestidade.
Prefeitura nega que órgãos sejam alvos
Após a operação, a Prefeitura de Sinop divulgou nota na qual sustenta que o Município e a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação não são alvos da investigação, que se concentraria na apuração de condutas atribuídas individualmente aos servidores envolvidos.
A administração municipal informou ainda que os mandados cumpridos nesta quarta-feira nas dependências da Secretaria são desdobramentos da operação Mãos à Obra, realizada em 28 de julho, e que as diligências se restringiram ao acesso a documentos e computadores relacionados aos servidores investigados, no âmbito da apuração de suas atividades individuais.
A Prefeitura confirmou que, em cumprimento à decisão judicial, os servidores envolvidos serão afastados de suas funções durante o período das investigações. A nota encerra reafirmando o compromisso com a transparência e com o cumprimento da lei e informando que o Município continuará colaborando com os órgãos responsáveis, prestando esclarecimentos e disponibilizando as informações solicitadas.
Investigação segue em andamento
O Gaeco informou que as apurações continuam e que as medidas cautelares autorizadas pela Justiça não constituem comprovação definitiva de responsabilidade criminal. Aos investigados estão assegurados o direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência, conforme a legislação vigente.
O Gaeco é uma força-tarefa permanente coordenada pelo MPMT, com integrantes da Polícia Judiciária Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal e do Sistema Socioeducativo, e atua no combate a organizações criminosas e a crimes que atingem a sociedade e a administração pública.





























