
Candidato do Republicanos venceu a disputa com ampla vantagem sobre Wellington Fagundes (PL) e Doutora Natasha (PSD). Posse está marcada para 6 de janeiro de 2027
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) foi reeleito para comandar Mato Grosso pelos próximos quatro anos. Com 100% das urnas apuradas, Pivetta conquistou 1.128.099 votos, o equivalente a 60,77% dos votos válidos, garantindo a vitória já no primeiro turno das eleições realizadas no último domingo (4 de outubro de 2026).
A vitória expressiva dispensou a necessidade de segundo turno. O senador Wellington Fagundes (PL) ficou em segundo lugar com 430.442 votos (23,19%), seguido pela deputada Doutora Natasha (PSD), que obteve 281.548 votos (15,17%). Os demais candidatos — Rafaell Milas (Missão), Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza) — somaram juntos menos de 1% dos votos válidos.
Trajetória política e ascensão ao governo
Natural de Caiçara (RS), Otaviano Pivetta, 67 anos, chegou a Mato Grosso na década de 1980 como produtor rural e construiu sua carreira política em Lucas do Rio Verde, município onde foi prefeito por três mandatos (1997-2004 e 2013-2016). Entre os mandatos municipais, exerceu o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (2007-2010).
Pivetta assumiu o governo estadual em março de 2026, após a renúncia de Mauro Mendes, que deixou o cargo para concorrer ao Senado Federal. Antes disso, havia sido eleito vice-governador em duas ocasiões: em 2018 e reeleito em 2022, sempre ao lado de Mendes.
Campanha e coligação
A chapa vitoriosa teve como vice-governadora Gisela Simona (União Brasil), que substituiu o candidato original Fábio Garcia após este ser afastado em meio a investigações de corrupção. A coligação de Pivetta reuniu os partidos Republicanos, a federação PSDB-Cidadania, a federação União-Progressista e o Podemos.
Durante a campanha, Pivetta apresentou como principais propostas a criação de um “Batalhão Rural” para reforçar a segurança no campo, o uso de drones para monitoramento de fronteiras, a expansão da Ferrovia Senador Vicente Vuolo e a duplicação da BR-163, rodovia estratégica para o escoamento da produção agrícola do estado.
Um dado que chamou atenção foi o patrimônio declarado pelo governador à Justiça Eleitoral: R$ 575,6 milhões, o maior entre todos os candidatos a governador no Brasil em 2026. Pivetta é um dos principais nomes do agronegócio mato-grossense.
Adversários e disputa
O principal adversário de Pivetta foi o senador Wellington Fagundes (PL), médico de 69 anos natural de Rondonópolis. Fagundes liderou a coligação “Coração da Gente”, formada por MDB, PL, NOVO e a Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), tendo como vice Reinaldo Gomes de Morais (NOVO).
A campanha de Fagundes focou em propostas de descentralização administrativa, uso da capacidade ociosa da rede privada de saúde para exames e cirurgias eletivas, digitalização de prontuários com inteligência artificial e combate ao crime organizado. Ele declarou patrimônio de R$ 13,1 milhões.
Em terceiro lugar, Doutora Natasha (PSD) representou uma alternativa aos dois principais candidatos, mas não conseguiu ameaçar a liderança de Pivetta, que manteve ampla vantagem durante toda a apuração.
Contexto político e controvérsias
A trajetória política de Otaviano Pivetta não é isenta de controvérsias. Em 2016, sua candidatura à reeleição como prefeito de Lucas do Rio Verde foi cassada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) devido à rejeição de contas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), relacionada à “Operação Sanguessuga”. Posteriormente, foi absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Em 2021, quando já era vice-governador, Pivetta foi indiciado pela Polícia Civil de Santa Catarina por suposta lesão corporal leve contra sua então companheira, Viviane Cristina Kawamoto. Ele foi preso em flagrante e liberado após pagamento de fiança. O governador sempre negou as acusações.
Apesar das polêmicas, Pivetta consolidou forte apoio político no estado, especialmente entre os setores ligados ao agronegócio e à produção rural, bases econômicas fundamentais de Mato Grosso.
Números da eleição
A eleição em Mato Grosso registrou taxa de abstenção de 22,21%, com 4,03% de votos brancos e 5,40% de votos nulos. A posse do governador reeleito está marcada para 6 de janeiro de 2027, quando Pivetta iniciará seu primeiro mandato completo à frente do Executivo estadual.
Com a vitória expressiva, Otaviano Pivetta terá pela frente o desafio de consolidar seu projeto político e atender às expectativas de um estado que é um dos principais produtores de grãos do país e enfrenta desafios nas áreas de infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento regional.


























