A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu 48 ordens judiciais na manhã desta terça-feira (8.6) contra quadrilha especializada no golpe do Falso Executivo. A Operação Interface, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, visa desarticular grupo criminoso responsável por estelionatos eletrônicos em escala interestadual.
No total, foram cumpridas 87 ordens judiciais. Dessas, 60 são mandados de busca e apreensão e 27 são mandados de prisão. Além disso, todas as contas bancárias vinculadas aos investigados serão bloqueadas. As ações abrangem os estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
Em Mato Grosso, a Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá coordena os trabalhos. Foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão. Os alvos estão localizados em Cuiabá e em Várzea Grande.
A operação conta com apoio de quatro delegacias especializadas: DHPP, Derf de Cuiabá, DERFVA e a 2ª Delegacia de Polícia de Cuiabá. Além disso, o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) e o Ministério da Justiça prestaram suporte técnico e investigativo.
O grupo criminoso causou prejuízo superior a R$ 193 mil a uma empresa industrial gaúcha. O esquema utilizava aplicativos de mensagens para se passar por executivos e induzir funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias fraudulentas.
O caso que originou as investigações ocorreu em 2025. Uma assistente financeira recebeu mensagens de um número que exibia a foto do presidente da empresa. Como o executivo viajava com frequência e costumava solicitar pagamentos por mensagem, a funcionária não identificou a irregularidade.
Seguindo as instruções falsas, ela realizou transferências para contas indicadas pelo suposto diretor. Somente dois dias depois, ao notar o volume elevado de pagamentos feitos em curto prazo, a funcionária desconfiou. Ao verificar o número, constatou que ele não correspondia ao telefone real do presidente.
As diligências apontaram que o golpe foi executado a partir da região de Cuiabá. Após a fraude, os valores eram transferidos para criminosos em outro estado. A investigação identificou ainda o executor e o articulador do esquema, ambos com extensa ficha criminal por crimes semelhantes.
A estrutura criminosa é composta por diferentes funções. Os chamados “conteiros” cedem contas bancárias para receber recursos ilícitos. Os “tripeiros”, por sua vez, recrutam esses titulares em troca de comissões. Gerentes do esquema coordenam toda a operação.
Para dificultar o rastreamento, os investigados usavam pulverização financeira. O dinheiro era fragmentado e transferido para dezenas de contas em diferentes estados, muitas vinculadas a instituições financeiras digitais. “A técnica permite retardar bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema”, explicou o delegado Bruno Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.
A delegada Luciane Bertoletti, responsável pelas investigações, alerta sobre o crescimento desse tipo de fraude. “Os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e utilizam fotografias, nomes e informações públicas para criar perfis falsos extremamente convincentes”, destacou a delegada.
Portanto, a Polícia Civil orienta empresas a adotarem protocolos rígidos de confirmação para transferências bancárias. Toda movimentação relevante deve ser validada por mais de um canal de comunicação. Sempre que possível, o responsável pela solicitação deve ser contatado diretamente.
As ações integram o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus. A iniciativa reforça o combate às fraudes eletrônicas, modalidade que movimenta milhões de reais no país e exige atuação conjunta entre polícias, instituições financeiras e órgãos de inteligência.
Com assessoria




























