Sabe aquele tipo de discussão que você tenta não ter, mas que fica gritando dentro de você? É sobre isso que vou tentar falar hoje, já que eu estava sendo atormentado por esse sentimento há alguns dias.
Tudo começou ontem, quando ouvi uma música chamada Indestrutível, por recomendação de um nobre colega que conhece o meu gosto musical muito bem. Durante a recomendação, lembro-me de ouvir ele dizer que a música em questão era ótima, reflexiva e, além disso, mostrava o potencial vocal de um grande artista.
Também me disse que, ao contrário de outras músicas mais genéricas do mesmo cantor, a canção tratava de algo muito profundo: a luta de um jovem gay, que se assumiu para o mundo e que, por esse motivo, enfrenta consequências sérias.
Pois bem. Fui ouvir e… Achei um merda. Não achei ruim apenas porque era do Pabllo Vittar, como este meu amigo se apressou em me dizer. Nem porque sou um fascista, nazista, conservador e que odeia gays. Nada poderia estar mais errado do que isso. É só que a música é ruim mesmo. Genérica em todos os aspectos. Uma letra previsível, composta sobre uma harmonia tão pobre quanto a minha conta bancária, entoada pela mesma voz anasalada e assustadora de sempre.
Mas é aí que vem o detalhe primordial, que me inspirou a escrever esse texto. Por um segundo, eu realmente pensei que eu estava sendo homofóbico mesmo. Será que eu tenho certo preconceito com o cara só porque ele é um pouco mais escandaloso do que eu gostaria? A resposta também veio em alguns segundos: é claro que não!
Cresci ouvindo Guns N’ Roses, Judas Priest e, principalmente, Twisted Sister. Mais escandaloso do que isso, impossível. Mas o fato não está na aparência. Está na essência. No âmago do artista.
O fato é que “Indestrutível” me fez lembrar de outra música. A minha música favorita de todos os tempos. A primeira música que meu filho ouvirá, se um dia eu tiver um filho. E, provavelmente, a música que eu mais ouvi na minha vida: Bohemian Rhapsody, do Queen. Caso você não saiba, ela fala sobre o mesmo tema. Exatamente o mesmo tema: a luta de um jovem gay, que se assumiu para o mundo e que, por esse motivo, enfrenta consequências sérias.
E não se preocupe. Caso você nunca tenha notado que essa música fala disso, você não está sozinho. As pessoas têm a tendência de enxergar (e ouvir) apenas o que paira na superfície.
Mas são nesses pequenos detalhes que vemos a diferença de um artista para um “artista”. É claro que não estou querendo ser o porta-voz da verdade, muito menos desmerecer o nosso cantor tupiniquim. Não detenho a propriedade sobre o que é bom e o que é ruim e nem planejo deter.
Mas, do alto da minha insignificância, consigo identificar e diferenciar facilmente uma música que transmite um sentimento cru e real de uma baladinha genérica, que transmite apenas uma mensagem mercadológica de “lacração”. Tudo se resume a isso. LACRAR. Eu era pobre e agora sou rico. Agora todos gritam meu nome quando eu apareço com uma peruca que custa mais caro do que um caro.
Fazer o que? Sentar e chorar. Ou escrever um texto como este. É o máximo onde posso chegar e eu sei que isso é pouco. Mas já é um começo. Um bom começo, na verdade.
E é por isso que eu decidi encerrá-lo com o melhor exemplo de um cantor gay que era pobre e discriminado, mas que sempre correu atrás dos seus sonhos. Um cara que se tornou respeitado por todos, mas não pela sua orientação sexual ou pelas suas roupas, mas pelo talento incontestável. Uma cara inacreditavelmente FODA (com letras maiúsculas, mesmo), detentor de uma das melhores – provavelmente a melhor – vozes que o mundo já ouviu.
Solta a voz, Freddie!





























