Plano Safra 26/27 terá R$525,1 bi para agro empresarial, com queda no custeio

Foto: Reprodução

O Plano Safra 2026/2027 destinará R$525,1 bilhões para financiamento de médios e grandes produtores, um acréscimo de 1,7% ou R$9 bilhões frente ao programa anterior, anunciou o Ministério da Agricultura nesta terça-feira, em momento em que parte do setor lida com endividamento e dificuldade para acessar o crédito rural.

Dentro do total, o volume de recursos separado para o custeio foi de R$384,9 bilhões, queda de 7,18% ante o ciclo anterior, ainda que agricultores lidem com custos mais altos, como fertilizantes e diesel.

Por outro lado, os recursos para os médios produtores (Pronamp) tiveram aumento de 5% no comparativo anual, para R$72,6 bilhões, enquanto o total para os demais produtores e cooperativas foi estabelecido em R$452,5 bilhões, alta de 1,2%.

Os juros do Pronamp tiveram queda de 1 ponto percentual em relação ao ano anterior, para 9% ao ano, com o governo tomando medidas para reduzir o custo dos empréstimos apesar das dificuldades fiscais.

“Houve um tremendo esforço para que os juros, principalmente os recursos das linhas equalizáveis, para que pudéssemos ter uma taxa de juros menor, e isso aconteceu”, disse o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, em entrevista coletiva após o anúncio do plano.

Ele considerou ainda “expressivo” o aumento na linha de custeio dos agricultores do Pronamp, o que ele chamou de “filé mignon” do Plano Safra.

“Vai ser disputado a tapa… (juro de) 9% hoje é um dinheiro que não se acha em qualquer lugar, se tiver, pega que está barato”, afirmou.

A oferta de recursos para o Pronamp, contudo, responde por uma parcela menor em relação ao total.

A queda no total para o custeio, incluindo cooperativas, surpreendeu, especialmente considerando o cenário de maiores custos, disse o diretor de Novas Estruturas Financeiras da fintech TerraMagna, David Telio.

“As margens dos produtores estão muito apertadas”, disse Telio, observando que a restrição de crédito, especialmente para o custeio, “vai apertar ainda mais a situação”.

“Foi dada uma importância maior para investimentos, nós do mercado não entendemos muito bem…”, disse.

Para investimentos, o Plano Safra elevou o total a R$140,2 bilhões, ante R$101,5 bilhões em 2025/26.

Mas em nota o ministério ressaltou que o Plano Safra 2026/27 traz uma “redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas”, afirmando que a queda da Selic abre uma “importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural”.

O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Araújo, disse que não houve uma redução dos recursos a taxas de juros controlados — subsidiadas pelo Tesouro — no Plano Safra.

Segundo ele, houve queda no volume dos chamados recursos a juros livres.

“Os controlados tiveram um aumento de 12%”, disse ele, sem apontar um valor absoluto.

O governo federal anunciará ainda nesta terça-feira, separadamente, o plano safra para a agricultura familiar.

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

Durante o anúncio do Plano Safra, ministros afirmaram que o governo negocia uma proposta de renegociação de dívidas rurais, para superar um impasse que atualmente dificulta o acesso dos produtores a crédito novo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo apresentará nos próximos dias uma proposta sobre renegociação de dívidas rurais, após diálogo com parlamentares.

“Infelizmente, está ficando de fora (do plano) um dos pontos mais relevantes no momento, que são as renegociações de dívidas”, disse o especialista da TerraMagna, afirmando que as estimativas de dívidas em atraso giram em torno de R$180 bilhões.

“Isso torna ainda mais difícil para o produtor conseguir os desembolsos desse Plano Safra”, afirmou.

O especialista disse que, embora a oferta de recursos do Plano Safra atinja recordes ano após ano, o efetivo desembolso está caindo.

“Na safra 23/24 foi desembolsado 96% do que houve de anúncio do Plano Safra na época. Para a safra 24/25, foi desembolsado 80%. E para a safra 25/26, foi desembolsado 76%. Então, o anúncio parece bonito… mas, infelizmente, ficou aquém em relação aos desembolsos.”

Reuters

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