
Mato Grosso e Pará são estados com maior área queimada entre janeiro e fevereiro deste ano, com 90 mil hectares e 71 mil hectares, respectivamente. A Amazônia é o bioma que mais foi atingido com as queimadas, perdendo mais de 500 mil hectares para o fogo nos dois primeiros meses do ano. Os dados são do Monitor do Fogo do MapBiomas, que contabiliza os efeitos de queimadas sobre o território nacional a partir de imagens de satélite.
Conforme o MapBiomas, o Brasil perdeu 536 mil hectares para o fogo entre janeiro e fevereiro. Foram 213 mil hectares, ou 28%, a menos que no mesmo período do ano passado. A quase totalidade dessa área – 487 mil hectares, ou 90% do total – foi na Amazônia.
O estado de Roraima também está entre os primeiros que mais queimaram neste ano. Juntos esses três estados, Mato Grosso, Pará e Roraima, representaram 79% do total da área queimada no Brasil nos dois primeiros meses de 2023.
“Esse padrão de área queimada em Roraima pode estar relacionado a características climáticas e ambientais únicas do estado”, explica Felipe Martenexenn, pesquisador no IPAM e responsável pelo mapeamento da Amazônia.
“Roraima está localizado no hemisfério norte, enquanto a maior parte dos demais estados se localiza no hemisfério sul. Desta forma, enquanto o período de seca em boa parte do país ocorre entre os meses de maio a setembro, em Roraima os meses de seca ocorrem entre dezembro e abril”, detalha.
O segundo bioma que mais queimou nos dois primeiros meses de 2023 foi o Cerrado. Foram 24 mil hectares divididos igualmente entre janeiro e fevereiro. Esse número é 64% maior na comparação com o mesmo período de 2022 (ou 9 mil ha a mais).
Mato Grosso (que também é um dos líderes em área queimada na Amazônia) e Maranhão são líderes no ranking de queimadas no Cerrado em 2023. Cerca de 32% da área queimada no Cerrado nos dois primeiros meses de 2023 foi em formação savânica (7 mil hectares).
Na Mata Atlântica, Pantanal e Caatinga, a extensão queimada em janeiro e fevereiro foi a menor dos últimos cinco anos. Na Mata Atlântica foram 4.600 hectares queimados, a maior parte dos quais concentrada em áreas agrícolas. No Pantanal, foram 8,8 mil hectares, a maioria concentrados em formações campestres e com uma grande área queimada no Parque Nacional do Pantanal Mato Grossense. Na Caatinga, a extensão queimada somou 6,7 mil hectares. No Pampa, foram queimados 4 mil hectares, 70% dos quais em formações campestres.
A maior parte da área queimada em todo o Brasil (84%) foi em vegetação nativa, a maioria em formações campestres. Dentre os tipos de uso agropecuário, as pastagens se destacaram, representando 12% da área queimada.
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